Como fazer escolhas certas: 5 livros sobre tomada de decisão

como fazer escolhas certas

Você deveria aceitar o emprego com salário mais alto, mas que fica mais longe da sua casa? Qual é a melhor maneira de priorizar sua enorme lista de tarefas diárias? Por quanto tempo você deve continuar em um relacionamento que não está indo bem antes de desistir?

Como fazer escolhas certas nessas situações?

Todos nós provavelmente já sofremos com a indecisão em situações difíceis como essas, e mesmo depois de tomar uma decisão, suspeitamos que talvez tenhamos feito a escolha errada.

No entanto, quando se trata de estratégias de tomada de decisão, o conselho mais comum não ajuda muito: siga seu coração, siga seu instinto, faça uma lista de prós e contras. Que tal falarmos de estratégias reais e práticas para superar a indecisão quando essas abordagens fracassam?

Para encontrar a resposta, vamos destrinchar 5 livros sobre tomada de decisão (os mais vendidos) para descobrir as estratégias que podem finalmente encurtar essas decisões demoradas.

Estudo sobre como fazer a escolha certa de 5 livros de tomada de decisão

Algoritmos essenciais: A Ciência da Computação das decisões humanas

Livro sobre tomada de decisão

E se você pudesse pegar sua lista cheia de opções, conectá-la a uma fórmula e receber uma resposta? De acordo com o livro Algoritmos para viver. A Ciência exata das decisões humanas, você pode sim fazer isso.

Para decidir quais roupas você vai eliminar do seu armário lotado por exemplo, você pode usar uma técnica de cache chamada Último Recurso Usado (LRU, Last Resource Used) e se livrar da peça de roupa que passou o maior tempo sem ser usada.

Quando se trata de dilemas de tomada de decisão, a Ciência da Computação tem muito a oferecer. Basta olhar para a “decisão ideal”.

Como o nome indica, os problemas da teoria da “decisão ideal” se resumem em saber quando parar de pesquisar e quando começar a se comprometer. Exemplos comuns são quando você está buscando alguma resposta na web (saiba como navegar na internet sem angústia), contratando uma nova pessoa ou procurando a vaga ideal no estacionamento. Muitos de nós já sofremos a angústia de não saber se existe uma opção melhor no futuro, e, ao mesmo tempo, sentir o medo de perder uma opção que já vimos e gostamos.

“A angústia é desnecessária”, escrevem os autores Brian Christian e Tom Griffiths. “Matematicamente, pelo menos, esses são problemas que já estão resolvidos.”

A resposta é 37 por cento. A matemática dita que você deve tomar 37% do tempo ou das opções que você tem para simplesmente olhar (sem se comprometer ainda), e depois disso, você deve arriscar, ou se comprometer com a primeira opção que é melhor do que todas que você viu até agora.

Por que 37%? Acontece que, quando fazemos as contas, esse é o ponto em que temos as maiores chances — em um belo exemplo de simetria matemática — de fazer a melhor escolha.

É isso mesmo, quer você tenha 100 opções ou um milhão, se você está buscando o ideal, ainda tem 37% de chance de sucesso.

A matemática não é divertida?

Rápido e Devagar, Duas Formas de Pensar

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Na década de 1970, os cientistas sociais aceitavam a ideia de que as pessoas eram geralmente racionais e que seu modo de pensar normalmente fazia sentido.

Isto é, até que o psicólogo Daniel Kahneman entrou em cena com sua pesquisa sobre julgamento e tomada de decisões, pela qual recebeu o Prêmio Nobel em 2002.

Em seu livro Rápido e devagar: Duas formas de pensar, Kahneman explica dois sistemas do cérebro que entram  em ação quando estamos tomando decisões:

  • O Sistema 1 é automático e rápido.

  • O Sistema 2 é deliberado e lento.

Às vezes, esses sistemas discordam um do outro, o que pode explicar algumas das nossas decisões mais agonizantes.

O Sistema 1 pode indicar que algo “parece estranho” quanto a uma pessoa que está concorrendo a um emprego. No entanto, o Sistema 2 pode concluir que essa pessoa atende a todos os requisitos, e depois de comparar com outras opções, a pessoa claramente é a mais qualificada em termos de currículo.

Conforme explicado no livro Algoritmos para viver, Kahneman diz que é melhor confiar em um algoritmo do que na sua própria intuição, e isso é comprovado por uma grande quantia de pesquisas.

Rápido e devagar: Duas formas de pensar cita um estudo que propôs que profissionais competissem com um algoritmo estatístico para prever as notas de alunos do primeiro ano do ensino médio no final de um ano letivo. Embora os especialistas tivessem acesso a mais dados — incluindo entrevistas de 45 minutos com cada aluno e vários testes de aptidão —, o algoritmo teve mais precisão do que 11 dos 14 profissionais.

Em seu livro, Kahneman recomenda usar uma fórmula em vez da sua intuição, caso estiver tentando contratar a melhor pessoa para uma vaga de emprego:

  • Passo 1: Antes de começar as entrevistas, escolha características essenciais (impondo um limite de seis) que a pessoa ideal tem que ter.

  • Passo 2: Então, faça uma lista de perguntas que você vai fazer para avaliar cada característica e decida o peso de cada questão (talvez em uma escala de 1 a 5).

  • Passo 3: Depois de entrevistar as pessoas que estão concorrendo à vaga, calcule a pontuação de cada característica na lista, compare as notas de cada pessoa e, não importa o que acontecer, faça o compromisso de escolher a que tiver a nota final mais alta.

Embora pareça estranho ir contra a sua intuição, existe uma linha de pesquisas que garante que isso resultará em maiores probabilidades de se fazer a melhor escolha.

Gente que resolve: Como fazer escolhas certas na vida e no trabalho

Livro sobre tomada de decisão

Jogue fora aquela lista de prós e contras. De acordo com Chip e Dan Heath, autores de Gente que resolve, essa técnica consagrada pelo tempo é “profundamente falha”.

Por quê? Porque, de acordo com os irmãos Heath, existem quatro vieses de decisão que a lista de prós e contras não aborda:

  1. Visão estreita. É a tendência de enxergar uma opção como sua única opção. Por exemplo, a visão estreita seria quando você não tem felicidade no trabalho e pensa: “Devo sair do meu emprego ou não?” Na realidade, você tem muitas outras opções além de pedir demissão, como delegar certas tarefas a colegas de trabalho, aprender como evitar o estresse no trabalho, ou ir de metrô para o escritório (em vez de carro) a fim de evitar o estresse do trânsito.

  2. Viés de confirmação. Os seres humanos preferem apenas reunir informações que apoiam a opção preferida, em vez de considerar as informações que contradizem sua opinião.

  3. Emoção de curto prazo. Todos já passamos por isso, especialmente na indecisão. Quando as emoções estão à flor da pele, nosso discernimento perde a clareza.

  4. Confiança exagerada. Com frequência, quando tomamos uma decisão, fazemos com muito otimismo quanto às consequências.

Para superar esses vieses, lembre-se das seguintes dicas que os irmãos Heath dão sobre o processo de tomada de decisões.

  1. Aumente suas opções. Para combater a tendência de ter uma visão estreita das coisas, desafie-se a considerar outras alternativas. Se você sentir que empacou, os irmãos Heath sugerem duas estratégias:

    • Considere o custo de oportunidade. Custo de oportunidade é um termo econômico para a próxima melhor opção da qual você abre mão ao fazer uma escolha. Por exemplo, se você escolher comprar um smartphone de $500, você abre mão de usar esses $500 para pagar a fatura do cartão de crédito.

    • Experimente o teste das Opções Desaparecidas. Se alguém eliminasse as opções que você está considerando atualmente, o que você faria? Isso força você a despertar sua criatividade e pensar em outras opções.
  2. Faça um teste real das suas suposições. Se você não tiver certeza se uma decisão será boa para você, faça pequenos experimentos para saber em vez de prever. Por exemplo, antes de se comprometer a fazer dois anos de pós-graduação, tente estagiar na área para ter certeza de que vai gostar.

  3. Afaste-se antes de decidir. Para lidar com a emoção de curto prazo, experimente a abordagem 10/10/10: Como você se sentiria sobre essa decisão daqui a 10 minutos, 10 meses e 10 anos? Quando todo o resto falhar, pergunte-se: “O que eu aconselharia meu melhor amigo a fazer nessa situação?” Ambas as táticas permitem que você distancie suas emoções das decisões.

  4. Prepare-se para sentir que cometeu um erro. Mesmo com os melhores processos de tomada de decisão, as coisas podem não funcionar como planejadas. Como fazer escolhas certas nesse caso? Uma forma de se preparar para possíveis fracassos é usar a técnica que faz com que você antecipe e se prepare para a melhor e a pior situação possível que podem resultar da sua decisão.

Blink: A decisão num piscar de olhos

Como fazer escolhas certas

Ao contrário dos livros de tomada de decisão acima, o livro Blink: A decisão num piscar de olhos, de Malcolm Gladwell, trata da capacidade que o nosso cérebro tem de fazer julgamentos em um piscar de olhos, resultando em decisões surpreendentemente precisas que muitas vezes penamos para explicar. Ele chama esse fenômeno de “cortar em fatias finas”: quando chegamos a uma conclusão baseada em fatias finas de experiência.

Gladwell diz que os julgamentos rápidos são mais precisos quando duas coisas estão presentes: experiência e expertise.

Em outras palavras, devemos treinar nossa intuição.

Por exemplo, um bombeiro que combateu mil incêndios pode tomar uma decisão rápida de deixar um prédio em chamas segundos antes de explodir porque já esteve em situações semelhantes muitas vezes antes. E mesmo sem ter consciência disso, seu cérebro está “cortando em fatias finas”, detectando instantaneamente um padrão baseado em experiências anteriores.

O último lugar em que você esperaria ver elogios com relação a algoritmos é em um livro sobre julgamentos rápidos, mas Blink diz o seguinte: Embora os julgamentos rápidos possam ser precisos, eles podem dar muito errado, especialmente quando estamos estressados.

Tomemos, por exemplo, o Pronto Socorro (PS) do Condado de Cook, onde Lee Goldman criou um algoritmo para determinar quais pacientes se queixando de dor no peito deveriam ser admitidos por possível ataque cardíaco. O algoritmo, que levou em conta apenas três informações, foi 70% mais preciso do que os médicos, que tinham muito mais informações.

Então, como fazer escolhas certas nessas situações?

Para combater as decisões rápidas ruins, Gladwell nos lembra:

  • O ato de fazer escolhas certas rapidamente depende de um equilíbrio entre pensamento deliberado e intuitivo. Quando você é um especialista com experiência em uma situação específica, como um médico de PS diagnosticando um paciente, as decisões rápidas podem ser precisas. Mas, o PS do Condado de Cook conseguiu diagnosticar de forma mais precisa possíveis ataques cardíacos em pacientes graças ao trabalho minucioso e deliberado de Lee Goldman, que se debruçou sobre as informações durante vários meses para desenvolver o algoritmo.

  • Ao tomar decisões, menos é mais. Embora gostemos de nos sentir confiantes fazendo o máximo possível de pesquisa, isso pode levar à indecisão (paralisia por analisar demais). Opte por menos informação; busque apenas o essencial. Você provavelmente terá mais clareza e tomará uma decisão mais rápida dessa maneira.

Como fazer a escolha certa na hora certa

Livro sobre tomada de decisão

Por fim, o livro Como fazer a escolha certa na hora certa oferece uma abordagem totalmente diferente para a fazer escolhas certas.

Enquanto muitas pessoas estão suando para aprender como parar de procrastinar, esse livro de tomada de decisão recomenda justamente o contrário: espere até o último momento.

Tem uma hora para decidir? Use 59 minutos para considerar suas opções, diz o autor Frank Partnoy.

Acontece que não é tão simples assim.

Mais do que “esperar até o último momento possível” passivamente, Como fazer a escolha certa na hora certa aborda o gerenciamento ativo do atraso.

O conselho reflete o que outros livros na lista dizem: leve o tempo que for necessário para decidir — a menos que você seja um especialista. Nesse caso, é melhor confiar na sua intuição.

“Um especialista geralmente não precisa adiar uma decisão”, escreve Partnoy. “Mas um principiante geralmente deve atrasar a decisão o tanto quanto possível.”

O que o Partnoy propõe é um processo simples de duas etapas:

  • Primeiro, descubra quanto tempo você tem para tomar a decisão (é geralmente mais do que você pensa).

  • Segundo, espere o máximo possível para escolher. Partnoy argumenta que, tomando mais tempo, você tem mais oportunidades de explorar suas opções e obter informações valiosas.

Isso - é claro - não funciona tão bem se você estiver lidando com milissegundos, como tenistas ou socorristas. Porém, para o nosso caso, Partnoy diz que é melhor aproveitar bem o nosso tempo.

Como fazer escolhas certas: conclusão dos livros de tomada de decisão

À primeira vista, esses livros sobre tomada de decisão oferecem estratégias muito diferentes. No entanto, observando mais de perto, há alguns temas recorrentes:

  • A intuição é melhor utilizada por especialistas, não por pessoas novatas. Gladwell elogia o instinto; Kahneman desconfia dele; já Algoritmos para viver passa o livro todo provando fórmulas matemáticas. Porém, a maioria dos autores concorda: a intuição é melhor utilizada por especialistas.

    Os irmãos Heath escrevem especificamente que, para poder confiar em sua intuição, você precisa ter um ambiente previsível, muita repetição e feedback imediato. Um grande mestre de xadrez, por exemplo, está decidindo seu próximo passo com base em milhares de horas de treinamento em situações semelhantes. Em casos como esse, o vencedor do Prêmio Nobel Herbert Simon se tornou uma referência ao dizer: “A intuição é nada mais e nada menos do que reconhecimento”.

  • Algoritmos tomam decisões melhores do que o cérebro humano. Um vasto campo de pesquisas mostra que, na maioria das vezes, os algoritmos otimizam suas chances de fazer escolhas certas. Embora haja muita coisa escrita sobre como a intuição pode ser útil, os algoritmos, ao contrário do cérebro humano, não são influenciados pelo estresse e pela emoção.

  • Aproveite o seu tempo (mas não demore muito). Quase todos os livros na lista recomendam não se apressar para se comprometer com a primeira opção que você enxergar. Porém, existe, sim, um ponto em que mais informações só levarão a mais confusão. Quer seja a regra de 37% mencionada em Algoritmos para viver ou o último momento possível explicado em Como fazer a escolha certa na hora certa, o fato é: não se precipite desnecessariamente.

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Como tomar uma decisão e não se arrepender

No fim das contas, se você sofre com a indecisão — e com o medo de não saber como fazer escolhas certas —, os autores de Algoritmos para viver nos dão este consolo: contanto que você siga o melhor processo possível, não se culpe se o resultado não for o que você espera. Afinal, até a regra dos 37% falha 63% do tempo.

Seja algo negativo ou positivo, adoraríamos ouvir o que você acha. Escreva para atendimento@trello.com.

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