Como melhorar o ambiente de trabalho com uma mudança de ares e o “efeito cafeteria”

como melhorar ambiente de trabalho

Já tenho experiência mais do que suficiente para saber que bate um desânimo depois do almoço pelo menos uma vez durante a semana de trabalho.

Nessa hora, eu olho para a tela do computador e ela olha para mim enquanto o cursor do mouse fica piscando por cinco minutos no mínimo.

Sabe o que faço nesses momentos em que minha motivação está esgotada? Guardo meu notebook e vou para uma cafeteria que tenha um WiFi confiável.

O “efeito cafeteria”: Minha arma secreta de produtividade

Quando chego lá, depois de pedir meu cafezinho, descubro que estou super focada. Termino minhas tarefas pendentes com certa facilidade e percebo que faço mais em duas ou três horas ali do que eu teria feito em um dia inteiro de trabalho em casa.

Esse é um fenômeno que apelidei carinhosamente de “efeito cafeteria”. Se eu tenho uma lista quilométrica de tarefas ou um prazo apertado para cumprir, pode apostar que vou para uma cafeteria. Sei que essa tática funciona comigo, mas recentemente comecei a pensar sobre o porquê disso.

Tem que existir um motivo além da cafeína por trás desse surto de produtividade, né? Então, o que faz com que a fuga de locais normais e rotineiros traga melhorias no ambiente de trabalho e dê um gás na nossa motivação para trabalhar?

1. Seu cérebro adora novidades

Você se considera alguém que se dá bem com a previsibilidade e a rotina? O engraçado é que os cientistas provavelmente discordariam de você sem pensar duas vezes.

Isso é porque já foi comprovado que o cérebro humano busca novidades constantemente. É um caso clássico de “síndrome do objeto brilhante”: quer você perceba ou não, seus olhos estão sempre procurando algo novo e empolgante.

“O homo sapiens foi o único grupo de hominídeos primitivos que migraram pelo mundo inteiro, o que levou a grandes riscos. Então, acho que a espécie humana tem como característica a busca pela novidade e intensidade”, explica o psicólogo Marvin Zuckerman, Ph.D., em uma pesquisa a respeito da necessidade humana por novidade (em inglês) da autora Brenda Patoine.

Fora o caso da evolução, muitas coisas também acontecem em nosso cérebro quando somos expostos a estímulos novos. Sem entrar em muitos detalhes, o resumo é que quando entramos em contato com algo novo e empolgante, nosso cérebro libera dopamina.

Conhecida por muitos como a substância química do cérebro relacionada ao prazer, a dopamina era antes considerada uma recompensa. Pesquisas recentes, no entanto, mostraram que, ela está mais relacionada à motivação. Em outras palavras, a dopamina nos inspira a buscar uma recompensa, ao invés de ser a própria recompensa.

E qual seria a recompensa nessa situação da cafeteria? A localização nova é efetivamente um canvas em branco para a sua produtividade: um ambiente de trabalho fresco e novo em que você pode dar conta de tudo que precisa (talvez isso inclua aquele pãozinho de queijo que você adora).

Marcar suas tarefas como concluídas em um lugar diferente é uma forma de exercitar a neuroplasticidade do seu cérebro. Basicamente, quando seu cérebro recebe novos estímulos, ele responde criando novos caminhos e mecanismos para realizar as tarefas. Então o que você pensa ser apenas uma eficiência maior em um melhor ambiente de trabalho, é na verdade, seu cérebro enxergando as tarefas com outra perspectiva. Assim, você foge da rotina em que estava antes, acionando a habilidade do seu cérebro de pensar sobre as coisas de um jeito diferente.

Não precisa nem dizer que seu ambiente físico tem um impacto enorme na quantidade de estímulos novos que você traz para o seu cérebro. Então, quando você finalmente cria coragem de sair de casa pela primeira vez após dias para ir a uma cafeteria, seu cérebro reage a esse novo ambiente dando um belo de um empurrão na sua motivação.

2. Você é presa fácil para rotinas não produtivas

Tendo dito isso, com certeza deve ter alguma rotina para a qual você sempre acaba voltando. Existe conforto na previsibilidade. Mas também é muito fácil cair nas rotinas que não são nada produtivas.

O fato de que o cérebro associa o ambiente de trabalho a comportamentos específicos certamente tem suas desvantagens. É por isso que é fácil cair em um "buraco negro" no YouTube quando você está tentando terminar o trabalho no seu notebook pessoal.

Então, se você sente que, sem querer, adquiriu alguns hábitos ruins onde você trabalha diariamente e precisa de uma sugestão de melhoria no ambiente de trabalho, quebrar o ciclo com novos ambientes pode ajudar a inspirar novos fluxos de trabalho e hábitos. “Sinais que estão ao seu redor são essenciais quando se trata da formação de hábitos, em parte porque o cérebro é excelente em conectar um ambiente a uma situação específica”, explica Ralph Ryback, M.D., em um artigo para a revista Psychology Today.

É impossível atingir a produtividade máxima 100% do tempo, então esses locais de hábitos saudáveis são ótimos para se ter na manga quando você precisa se concentrar. Por exemplo, por eu sempre conseguir ser muito produtiva na cafeteria perto de casa, meu cérebro agora relaciona aquele ambiente à produtividade aumentada, o que significa que o ciclo geralmente se repete quando volto lá para mais uma sessão de trabalho.

No entanto, pode ser vantajoso tentar transferir um pouco dessa motivação. Preste atenção em quais propulsores de motivação você mais usa quando está em locais diferentes e pense em como melhorar seu ambiente de trabalho ao incorporá-los no seu local de trabalho diário.

3. Intenções são poderosas

Outro dilema continuava me atormentando: eu era mais produtiva em uma cafeteria por melhorar meu ambiente de trabalho físico? Ou era o senso de propósito de que eu estava indo para outro lugar para trabalhar que me inspirava a realmente me concentrar e tratar minha lista de tarefas com seriedade?

No fim das contas, as duas coisas ajudam a engatar a motivação.

Mudar ou melhorar seu ambiente de trabalho realmente afeta seu cérebro e seu nível de motivação. Mas muito pode ser dito sobre a intenção nesse quebra-cabeça também.

Antes de ir para a cafeteria, você tem o seguinte sentimento: vou lá para conseguir trabalhar muito.

Conforme a autora Lynne McTaggart menciona em seu livro, The Intention Experiment (em português: O Experimento da Intenção), a intenção por si só pode ser poderosa. McTaggart conduziu pesquisas para seu livro em diversos laboratórios e universidades para estudar como a intenção pode realmente afetar nossa vida.

E ela descobriu que a intenção realmente importa.

Conforme relatado pela Harvard Business Review, William A. Tiller, um professor emérito na Universidade Stanford, declara no livro: “Pelos últimos 400 anos, uma suposição não declarada da ciência tem sido que a intenção humana não pode afetar o que chamamos de realidade física. Nossa pesquisa experimental da última década mostra que, para o mundo de hoje e sob as condições certas, essa suposição não é mais correta”.

Resumindo, o fato de que você está indo para uma cafeteria com a única intenção de dominar sua lista de tarefas faz, sim, uma diferença.

Pronto para um cafezinho?

À primeira vista, pode parecer estranho que uma cafeteria é o que impulsiona seu foco e motivação.

Afinal, deixar o conforto e a tranquilidade do seu escritório em casa para sentar em uma cafeteria lotada, onde incansáveis ruídos de máquinas e de outros clientes gritando ao celular invadem seu cérebro, parece contraintuitivo. De fato, não esse local não parece ajudar em nada para sua produtividade.

Mesmo assim, funciona. E, como já sabemos, há vários motivos fundamentados na ciência que explicam o porquê.

Então, na próxima vez em que você sentir que está se arrastando em uma tarefa, considere ir a um local novo (não precisa ser uma cafeteria!) com a intenção de terminar o trabalho. Você vai ficar surpreso com o quanto isso vai ajudar.

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