As armadilhas da frase “Esse não é o meu trabalho”

como ter atitudes positivas no trabalho

Pode acontecer com qualquer um.

Você está eliminando aos poucos sua longa lista de tarefas e seu colega de trabalho te chama no chat ou vai até a sua mesa. Ele pergunta se você pode dar uma ajudinha para finalizar a apresentação e também converter um maldito documento em um PDF, de novo. Mas em vez de gentilmente recusar-se a ajudar, você exclama: “Esse não é meu trabalho!”.

Provavelmente você já disse isso uma ou duas vezes. E provavelmente também não causou nenhum mal com sua resposta. No entanto, dizer a um colega de trabalho que uma tarefa não é sua responsabilidade pode causar algumas desvantagens profissionais sérias. A abordagem “não é minha função” no trabalho é um dos cincos hábitos mais comuns de limitação de carreira, e baseado em um estudo feito por VitaSmarts, em média, 97% dos colaboradores são culpados por exercer ao menos um desses hábitos limitantes.

Um dos valores mais importantes no Trello é o Não Fique sem Fazer Nada. Se você vê alguma coisa quebrada, você é encorajado a tomar uma decisão sobre o problema e informar o time apropriado, ou lidar com isso por conta própria. Em resumo: nunca assuma que alguém vai resolver o problema.

Isso me lembra uma história:

Essa é uma história sobre quatro pessoas chamadas Todo Mundo, Alguém, Qualquer Pessoa e Ninguém. Havia um importante trabalho a ser feito e Todo Mundo estava certo que Alguém faria. Qualquer Pessoa poderia ter feito, mas Ninguém fez. Alguém ficou bravo com isso, porque era função de Todo Mundo. Todo Mundo pensou que Qualquer Pessoa poderia fazer, mas Ninguém percebeu que Todo Mundo não faria. Acabou que Todo Mundo culpou Alguém quando Ninguém fez o que Qualquer Pessoa poderia ter feito.

Como você pode perceber, essas suposições e formas de pensar podem criar bastantes dificuldades. Então, quais são as causas e armadilhas dessa atitude auto sabotadora no ambiente de trabalho? Como a cultura positiva do “não fique sem fazer nada” pode beneficiar sua carreira? E como você pode gentil e apropriadamente recusar trabalhos extras quando você já está sobrecarregado?

Vamos explorar algumas atitudes positivas no ambiente de trabalho com lições de empresas de tecnologia como Facebook, Hubspot e nosso time do Trello.

A causa da atitude do “Não é o meu trabalho”

No momento, pode parecer bom recusar o pedido de ajuda para preparar a apresentação trimestral no dia anterior… Até que você esteja sentado na reunião e veja um erro de digitação no cabeçalho da apresentação.

As razões dessa atitude podem ser mais profundas do que você imagina e podem acabar atrapalhando sua função ou carreira. Aqui estão algumas razões porque você deve estar dizendo “Esse não é meu trabalho” com mais frequência ultimamente:

  • Você está desmotivado.

E você não está sozinho nesse sentimento. Uma pesquisa realizada pela SocialBase constatou que no Brasil: 20% dos profissionais não estão felizes com seu trabalho e buscam outras oportunidades, 49% tem o desejo de empreender como próximo passo da carreira e apenas 13% dos colaboradores estão engajados em seu trabalho. Quando seu dia de trabalho parece mais normal do que excelente, você provavelmente superou sua função e precisa discutir uma mudança com seu gerente ou procurar uma nova posição.

  • Você está sobrecarregado.

Você pode estar atrapalhando sua equipe de trabalho se eles fazem alguns pedidos e você, honestamente, não consegue imaginar pegando mais tarefas no trabalho. Você está sobrecarregado e exausto. Este é um problema muito comum para a maioria dos trabalhadores. A síndrome do Burnout está em todo país e praticamente metade dos trabalhadores se sentem sobrecarregados.

  • Suas responsabilidades não são claras.

De acordo com uma pesquisa feita na London Business School, a falta de clareza na função e ambiguidade nas tarefas prejudica a colaboração e produtividade. Em vez disso, eles descobriram que “ A colaboração melhora quando a função de cada membro individualmente é claramente definido e bem compreendido - quando os indivíduos sentem que eles podem fazer uma boa parte do seu trabalho de forma independente”. Em outras palavras, quando você sabe exatamente seu cargo e função na empresa, é mais provável que você ajude.

Ainda por cima disso tudo, quando você assume que outra pessoa da equipe vai lidar com a tarefa, você pode ser caracterizado como um indolente social - o que significa que você tem a tendência de tomar menos iniciativa independente no trabalho, se você faz parte de um grupo. Isso pode fazer com que seus colegas de trabalho pensem que você não dá conta das suas responsabilidades, mesmo que você seja capaz.

Pare de virar os olhos e apodere de suas responsabilidades Essas são as razões porque você diz aos seus colegas de trabalho ‘Essa não é minha função!”

Os benefícios de uma cultura “Não fique sem fazer nada”

O sentimento “Esse não é meu trabalho” pode estar pairando pelo seu escritório com mais frequência se a liderança não promove uma cultura de autonomia, colaboração e transparência. Se a equipe de trabalho trabalha no silo e tudo é um segredo, a sua cultura organizacional deve ser a raiz desse problema.

Michael Pryor, co-fundador e Diretor de Produto no Trello, reitera o “Não fique sem fazer nada” em todas as reuniões da empresa. Com essa frase, ele lembra cada equipe e indivíduo que eles estão capacitados para resolver problemas e tomar decisões sem uma hierarquia de aprovações.

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Esse espírito rompe o efeito silo entre equipes que pode prejudicar a colaboração e reduzir o senso de responsabilidade. Por exemplo, um engenheiro deve se sentir confortável em avisar o marketing sobre um erro de digitação do Facebook. E vice-versa: se o time de marketing vê um bug na última atualização do aplicativo, eles entram em contato para compartilhar esse problema. Nunca deve-se ter o sentimento de estar “pisando no dedão de alguém”. Valores autênticos são os blocos de construção para empoderar cada membro da equipe a tomar uma ação.

Mas o Trello não é a única empresa que tem visto sucesso com esse tipo de cultura organizacional. No Facebook, o slogan “Nada no Facebook é problema de outra pessoa”, se tornou uma parte da persona do gigante da tecnologia. Eles até mesmo possuem alguns posters criados no escritório com o slogan que os colaboradores penduram em suas mesas.

Caitlin Winner, uma designer no Facebook, compartilhou em um artigo no Medium como a filosofia “Nada no Facebook é problema de outra pessoa” empoderou ela a melhorar e fazer um novo design para o ícone de Amigos. Ninguém falou para ela pegar esse projeto. Em vez disso, ela viu alguns problemas de design, especialmente com o ícone feminino e pegou a responsabilidade para melhorá-lo. Quando ela finalizou o projeto iniciado por conta própria, Caitlin estava nervosa que outros designs ficassem bravos com as mudanças. Ao invés disso, ela explica:

“Timidamente, eu salvei a nova versão do arquivo em gIyph, sem saber se eu estava quebrando alguma regra e meio que esperando um bando de designers bravos me mandando mensagens perguntando porque eu estava estragando o kit glyph do Facebook. Em vez disso, e um tanto magicamente, os novos ícones começaram a aparecer nos novos produtos por toda a empresa e em nossas diversas plataformas.”

Esses valores de “não fique sem fazer nada” e “nada é problema de outra pessoa” são possíveis porque a equipe de liderança de ambas organizações acreditam e empoderam suas pessoas. Pesquisas mostram que o empoderamento dos colaboradores possui um impacto positivo na satisfação do trabalho. (Empoderamento significa estar envolvido na tomada de decisões, ter autonomia para finalizar tarefas e saber que seu trabalho é importante para a organização).

A Hubspot sabe algumas coisas sobre como empoderar seus colaboradores também. O quarto código no famoso Código de Cultura da Hubspot afirma “Nós preferimos a autonomia e a tomada de responsabilidades”. O empoderamento deles também se resume a confiança e transparência. Eles provam que confiam em seus colegas de trabalho com uma política de 3 palavras: “Faça bons julgamentos”. Essas três palavras incorporam a confiança que é dada a cada colaborador e a autonomia para tomar decisões que são boas para a equipe e o cliente. Além disso, a Hubspot apoia a cultura da transparência, assim, todo mundo tem acesso aos recursos e informações necessárias para se apropriar de suas tarefas e tomar decisões.

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“Eu amo que dois de nossos valores culturais são humildade e autonomia. Pra mim, a humildade significa que cada pessoa tem a obrigação de resolver pela a empresa e nossos clientes acima de sua equipe e de si mesmo, o que significa que não há nenhuma tarefa muito pequena ou servil, independentemente de nível ou posição.

A parte da autonomia na equação consiste em empoderar as pessoas para trazer suas ideias e ações para enfrentar qualquer desafio ou problema relativo a nosso negócio ou clientes - nós queremos que todo mundo seja um líder, um resolvedor de problemas e uma força em tornar nossa companhia melhor, então nós oferecemos o máximo de informação e contextualização possível para ajudar a informar como as pessoas podem abordar esses desafios diariamente”.

- Katie Burke, Diretora de Pessoas (Chief People Officer) na HubSpot

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Como dizer não sem estragar relacionamentos

Haverá muitos momentos reais quando você terá muita coisa para fazer e não poderá ajudar seus colegas de trabalho com a apresentação trimestral. E se você estiver estressado e com um deadline apertado, você provavelmente não vai querer dizer “Esse não é meu trabalho!” e em vez disso, gostaria de falar “Desculpe, Pedro. Eu estou com um deadline apertado e não consigo me dedicar como gostaria para te ajudar com a apresentação”. Mas essa reação impulsiva e negativa pode ofender o Pedro. E ainda por cima, pode voltar contra você lá na frente quando precisar de ajuda.

Existem várias formas de parar de falar “Esse não é meu trabalho!” e começar a dizer “Não” sem estragar nenhum relacionamento:

  • Diga não gentilmente

Muitas de nós não dizemos “não” com frequência suficiente porque temos medo do conflito e não queremos desapontar alguém. Mas você pode dizer “não” sem ser mau, negativo ou causando mágoas. Na próxima vez que um colega de trabalho te chamar pedindo um favor, diga não gentilmente ao falar: “Eu gostaria de poder ajudar, mas…” ou “Eu adoraria participar nesse projeto, mas…” e fornecendo um contexto válido porque sua atenção é necessária em outro lugar.

  • Coloque tempo para o Realizador vs Gestor no seu calendário

Graças as notificações de e-mail e telefone, você provavelmente é puxado em várias direções quando você deveria estar trabalhando profundamente. Seja você um realizador, gestor ou um híbrido dos dois, seu calendário é sua melhor linha de defesa. Defina blocos de tempo em seu calendário para finalizar o trabalho a cada semana, assim como um tempo em aberto indicando quando você está disponível para reuniões. Compartilhe seu calendário e seja transparente sobre sua energia mental para que membros da equipe não te interrompam quando você estiver focado.

Se a frase “Não é meu trabalho!” está criando diálogos na sua equipe, pode ser útil observar as causas mais profundas em jogo. No nível individual, você pode descobrir se está infeliz em seu trabalho ou sobrecarregado com as tarefas. No nível organizacional, executivos e gerentes podem analisar se a cultura corporativa está promovendo uma cultura que empodera suas pessoas.

Esteja aberto para mudanças e lembre-se: Não fique sem fazer nada!

Colaboradores empoderados = colaboradores felizes. Essa é uma visão de como o Trello, Facebook e Husbpost promovem uma cultura de autonomia, transparência e colaboração.

Como você luta contra os hábitos limitantes da sua carreira e assume uma atitude positiva no ambiente de trabalho? Sua empresa possui uma cultura corporativa sólida? Adoraríamos saber mais sobre isso nos comentários!