Mitos e dicas: Trabalhar de casa não é trabalhar remoto

como trabalhar de casa

Vamos esclarecer uma coisa: a tecnologia mudou. A capacidade de qualquer funcionário trabalhar de casa ou em qualquer lugar longe do escritório é mais possível agora do que nunca. Então, por que algumas pessoas falam bem e outras tiram sarro do trabalho remoto?

A verdade é que o trabalho remoto tem uma reputação desgastada, e isso se deve em parte à  confusão sobre o que realmente significa trabalhar remoto. (Não, não é uma pessoa que fica sentada vendo Netflix o dia todo.)

Por exemplo, quando falam sobre trabalho remoto, muitas pessoas não fazem distinção entre um funcionário que tem um escritório - mas vira e mexe - pode trabalhar de casa, e um time que funciona completamente no modo remoto.

Eis os fatos: há uma diferença enorme, do tamanho da Amazônia, entre permitir que um funcionário trabalhe de casa de vez em quando e definir a sua equipe como uma “equipe remota”.

Vamos falar dessa diferença e de como esses fatores podem causar confusão sobre o que é efetivamente o trabalho remoto.

Um time no escritório com normas de trabalho flexíveis

Está se tornando cada vez mais comum empresas manterem um espaço físico de escritório, mas também permitir que os funcionários trabalhem de casa, de vez em quando. De acordo com o New York Times, 60% dos norte-americanos que trabalham remotamente relataram que, na realidade, trabalham de casa menos da metade do tempo de trabalho. Em outras palavras, isso significa que a maioria do expediente é feito em um escritório tradicional mesmo.

É comum as pessoas escolherem trabalhar de casa por se preocuparem com sua agenda: ir para uma consulta médica na hora do almoço, ir para uma reunião de pais ou prometer que vai tomar conta do porquinho da Índia da pessoa que mora com você — de novo. Para quem leva muito tempo para chegar no trabalho, em geral, o tempo pode ser mais bem aproveitado trabalhando de casa.

Outros simplesmente curtem o silêncio em casa, onde podem se concentrar sem as distrações frequentes do escritório. Não importa a razão, poder trabalhar de casa vez ou outra dá mais flexibilidade aos funcionários.

Porém, como essas pessoas geralmente trabalham em um escritório, o home office delas talvez não esteja otimizado: pode ser que não tenham um local de trabalho dedicado, internet rápida e confiável ou até alguém para cuidar dos filhos.

Ou seja, para as pessoas que só podem trabalhar de casa ocasionalmente, estar em casa é uma exceção da rotina, o que acaba não resultando em um expediente de sucesso.

Há uma diferença enorme, do tamanho da Amazônia, entre permitir que um funcionário trabalhe de casa de vez em quando e definir a sua equipe como uma “equipe remota”.

Além da própria produtividade pessoal, as agendas de trabalho flexíveis podem afetar o resto do escritório também.

Se não existe um processo na empresa para ajudar o funcionário que trabalha de casa, significa que quem fica em casa fica por fora das decisões que estão sendo tomadas. Também significa que, no caso de uma reunião, não existe uma infraestrutura de tecnologia para incluir essa pessoa na reunião facilmente por videoconferência.

Alguém da equipe se muda e o time vira ‘remoto’

Pense neste outro cenário: todo mundo na equipe está trabalhando junto no escritório quando, de repente, um membro essencial e antigo do time precisa se mudar por conta de alguma circunstância da vida (decisões da família, parente doente, etc.). Para não perder essa pessoa que desempenha tão bem, a empresa decide permitir que ela trabalhe remotamente.

Agora com uma configuração aparentemente ‘remota’, a empresa segue a vida normalmente, mas, de vez em quando, precisa fazer uma ligação de vídeo para o membro remoto da equipe no meio da reunião. Já que isso não é um hábito muito comum na empresa, os primeiros 5 minutos de cada reunião são gastos tentando descobrir os problemas do programa de videoconferência e lidando com a crise existencial de não entender por que nenhum cabo funciona.

Quando a pessoa remota quer contribuir com algo na reunião, ela tenta interpretar o clima do grupo em volta da mesa. Ela passa metade da reunião tentando sentir qual é o melhor momento para se expressar sem interromper as outras pessoas, que conseguem fazer uma leitura mais rápida pessoalmente. Às vezes, por causa do Wifi ruim, tem um atraso na fala e na reação de quem está no vídeo.

Quando a equipe tem muito menos gente trabalhando remoto do que no escritório, e nenhuma norma para apoiar o teletrabalho, os membros remotos passam a contribuir menos, não importa o quão experientes sejam.

Quando se trata da comunicação do dia a dia, se a pessoa que trabalha remoto precisa ser envolvida, é criada uma conversa por e-mail. Muitas das mensagens que essa pessoa recebe são para repassar as decisões que aconteceram, enquanto os outros funcionários conversavam informalmente no escritório.

Ou seja, quando a equipe tem muito menos gente trabalhando remoto do que no escritório, sem nenhuma norma para apoiar o teletrabalho, as pessoas remotas passam a contribuir menos, não importa o quão experientes sejam.

Porém, as coisas não precisam ser assim.

Uma equipe remota completamente estruturada

Por outro lado, muitas empresas já adotaram uma infraestrutura remota completamente sólida. Essas estruturas de apoio surgem em empresas que têm uma grande porcentagem de funcionários trabalhando remoto, assim como empresas que são completamente remotas e não têm uma sede.

As normas nessas empresas são muito diferentes das normas onde o trabalho remoto só é uma forma de flexibilização. Quando a maioria dos membros trabalha de casa e longe da sede, há inúmeras estratégias e melhores práticas que podem ser adotadas na empresa para fazer o trabalho remoto dar certo.

Em outras palavras, times completamente remotos são centrados, estratégicos e se adaptam rapidamente a práticas novas e melhores para tornar o trabalho remoto mais entrosado. Não existe uma atitude do tipo: “É só ligar seu notebook em casa e começar a trabalhar!”

Assim como um escritório em um espaço de coworking demanda esforço para que o ambiente agrade a todos, uma empresa remota também precisa fazer adaptações:

  • A comunicação acontece no ambiente digital, em canais abertos de chat onde qualquer pessoa pode opinar de forma assíncrona na tomada de decisão.
  • Quando alguns participantes da reunião estão conectados remotamente, todos os participantes se conectam por telas de vídeo individuais, não importa onde estejam (ex.: não projete o rosto de uma ou duas pessoas em uma tela enorme, ou pior ainda, não coloque a voz delas para sair pelo aparelho de ligação que fica no centro da mesa).
  • As pessoas que não estão presentes no escritório não ficam de fora das tomadas de decisão, só recebendo as notícias depois.
  • Os funcionários têm conversas regulares com seus gestores para garantir que estejam cientes das expectativas e dos prazos.
  • Os membros remotos precisam trabalhar em uma sala silenciosa com uma porta; durante o expediente, não podem ser o cuidador principal de uma criança ou de alguém doente ou fazer outros trabalhos que não o da empresa.
Assim como um escritório em um espaço de coworking demanda esforço para que o ambiente agrade a todos, uma empresa remota também precisa fazer adaptações específicas.

Trabalhar de casa: Falar é fácil, mas e fazer?

Pensem neste cenário comum: uma empresa decide permitir que seus funcionários trabalhem de casa um dia por semana. E então, descobrem que esses dias são os menos produtivos para os funcionários, encontram mais dificuldade para entrar em contato com eles, ou talvez os funcionários ficam entrando e saindo das reuniões por causa da internet instável. Com isso, a empresa cancela a iniciativa.

Como se não bastasse, quando o assunto de trabalho remoto surge em alguma conversa, a empresa afirma repetidamente algo do tipo: “É, experimentamos fazer isso. Simplesmente não funcionou”.

Porém, eles realmente “experimentaram” fazer o trabalho remoto funcionar de verdade?

Adotar de verdade as normas do trabalho remoto significa ter conversas regulares e expectativas claras com os funcionários, além de prazos para se reunirem e para entregarem seus trabalhos, não importa onde estão.

Significa estabelecer um canal oficial de comunicação digital, como um app de bate-papo, garantindo que todas as decisões sejam registradas, transparentes e assíncronas (ou seja: não há decisões sendo tomadas em  conversas do corredor ou na baia de alguém).

Adotar de verdade as normas do trabalho remoto quer dizer que os funcionários têm um orçamento estipulado para fazer um upgrade na internet de casa.

Então, quando alguém faz comentários depreciativos sobre o trabalho remoto, investigue como a experiência aconteceu de fato. A opinião de todo mundo é válida, mas é importante lembrar que nem toda experiência remota é igual.

Algumas empresas conseguem fazer isso tranquilamente, enquanto outras têm dificuldades para se adaptar às estruturas para apoiar as equipes que não trabalham no mesmo local.

Seja algo negativo ou positivo, adoraríamos ouvir o que você acha. Escreva para atendimento@trello.com.

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