A inteligência artificial vai nos transformar em gerentes. Estamos prontos?

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Uma pesquisa recente da Gallup, empresa de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, mostrou que 1 em 10 pessoas possui as habilidades necessárias para ser um gestor eficaz. Esse cenário é preocupante, pois a inteligência artificial está prestes a transformar todo mundo em gerente.

É isso mesmo: o volume crescente de assistentes virtuais com inteligência artificial, como o que minha empresa x.ai oferece, significa que todos vão passar a administrar sua própria equipe de funcionários virtuais com inteligência artificial. A habilidade para contratar, gerenciar e treinar uma equipe de inteligência artificial de alto desempenho será uma qualidade requisitada.

Em razão disso, cada um de nós vai precisar cultivar as várias habilidades dos empreendedores de hoje. Imagino que a coisa vá funcionar mais ou menos assim:

A equipe de inteligência artificial

O ano é 2020. Davi, um (ser humano) executivo de contas, senta-se ao computador para começar o dia. Enquanto ele começa a trabalhar criando uma nova apresentação de vendas, sua equipe de assistentes entra em ação à sua volta. Eles agendam reuniões, qualificam leads, enviam contratos, reservam passagens e cuidam de outras tarefas administrativas que tomavam uma grande parte do seu dia. Inclusive, eles trabalharam à noite e no fim de semana inteiro de modo praticamente perfeito e com desgaste zero.

A equipe de assistentes do Davi representa o que gosto de chamar de inteligência artificial vertical. É um grupo de assistentes de software — com inteligência artificial — que se especializa em tarefas muito específicas. Contratar essa equipe faz com que Davi seja mais produtivo e permite que ele passe mais tempo se concentrando na parte central de seu trabalho: construir relacionamentos autênticos com clientes em potencial e vender.

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Ao longos dos próximos anos, milhares de assistentes inteligentes e especializados serão ativados. Quando isso acontecer, eles vão mudar o que significa ser um funcionário e um trabalhador do conhecimento. Nesse cenário, esses robôs vão permitir que pessoas como Davi tenham mais sucesso, mas exigir que desenvolvam novas habilidades para criar e administrar sua equipe de inteligência artificial.

De certa maneira, o futuro com os assistentes de inteligência artificial já chegou. Os pioneiros na adoção do conceito estão montando equipes agora mesmo para terceirizar as tarefas que exigem muito trabalho mental, não são criativas, mas ainda assim são necessárias. Amy, a assistente inteligente da minha empresa, por exemplo, agenda reuniões para você. Outra assistente, chamada a Claire, faz reservas para viagens corporativas. A Conversica interage com leads de vendas, enquanto o Docubot cria documentos jurídicos.

Dezenas de assistentes inteligentes já existem e a adoção geral deles pode nos levar a um novo paradigma, o qual gosto de chamar de BYOA (Bring Your Own Agent ), que em português significa: "Traga Seu Próprio Assistente". Um executivo de contas como Davi será contratado tanto por sua habilidade para administrar clientes quanto para contratar, treinar e gerenciar uma equipe de assistentes inteligentes para ajudá-lo a ser mais produtivo e eficiente.

O que isso quer dizer para você

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À medida que assistentes de inteligência artificial começarem a ser adotados pelas empresas, esse fluxo terá implicações reais para todo mundo na cadeia hierárquica. Para ter sucesso no mundo BYOA, trabalhadores do conhecimento em todos os cantos da organização vão precisar desenvolver várias habilidades de gestão daqueles funcionários que estão no topo da cadeia. Todos vão virar chefe da sua própria equipe de inteligência artificial. A seguir, apresento alguns assuntos sobre os quais você vai precisar pensar para integrar com êxito as equipes de inteligência artificial na sua organização.

CEOs e alta gerência

Para você que está no topo do organograma da empresa, assistentes inteligentes vão mudar como você enxerga talento. A inteligência artificial vertical vai continuar a se tornar cada vez mais poderosa na próxima década, aumentando a importância de muitas das habilidades técnicas (hard skills) que você prioriza atualmente nas contratações.

Assim como as habilidade de integrar a inteligência artificial no seu fluxo de trabalho, habilidades comportamentais (soft skills) como comunicação, criatividade, empatia e pensamento crítico vão se tornar cada vez mais importantes. Candidatos que não trouxerem consigo uma equipe de assistentes inteligentes em sua “folha de pagamento”, em breve serão vistos quase como excêntricos.

Gerentes de nível intermediário

A boa notícia para os que já são gerentes é que vocês já têm a maioria das habilidades que precisam para gerenciar bem a sua equipe de inteligência artificial. Avaliar, treinar e se comunicar com os membros da sua equipe de inteligência artificial, por mais que seja diferente, exige os mesmos princípios que você já utiliza com sua equipe humana.

Visto que a inteligência artificial devolve o seu tempo perdido, você vai precisar decidir como utilizá-lo.

Funcionários que não são gerentes

Ao tirar da sua lista muitas das tarefas mais simples, a inteligência artificial tem a promessa de torná-lo sobre-humano… até certo ponto.

A inteligência artificial vai complementar sua habilidade de realizar as funções essenciais do seu trabalho e eliminar as distrações para você se concentrar melhor nas qualidades que são exclusivamente suas. Conforme dito antes, você também vai precisar cultivar habilidades gerenciais que anteriormente não faziam parte da descrição do seu cargo.

Pense no Davi, por exemplo.

Os assistentes inteligentes dele podem trabalhar sem parar, mas isso não significa que eles não precisam ser gerenciados. O Davi precisa determinar de quais assistentes ele precisa para montar uma equipe produtiva e depois contratar esses assistentes assinando o produto ou serviço deles.

Ele treina esses assistentes ajustando suas configurações, acrescentando informações e conectando-os a outros programas (provavelmente outros assistentes!). Ele avalia o desempenho deles e dispensa os assistentes que não estão indo muito bem.

Empreendedores individuais e pequenas startups

Para empreendedores individuais ou pequenas startups, a inteligência artificial vai empatar o jogo. Ao acrescentar assistentes de inteligência artificial à sua equipe, você vai conseguir competir em um nível mais alto. Isso não é diferente da terceirização, mas a inteligência artificial será mais barata, mais eficiente e, de muitas formas, mais poderosa.

Assistentes de inteligência artificial em todo lugar

Quando funcionários corporativos configurarem e treinarem equipes de assistentes de inteligência artificial, não será surpresa alguma que eles vão querer levar essas equipes quando mudarem de emprego. Como eu já disse, você não vai mais contratar um executivo de contas, mas, sim, um executivo de contas reforçado por sua equipe pessoal de inteligência artificial. A migração dos trabalhadores do conhecimento e suas equipes de inteligência artificial vai espalhar o paradigma BYOA organicamente.

Assim como o termo BYOD (Bring Your Own Device) — em português: Traga Seu Próprio Dispositivo — que o precedeu, o BYOA levanta algumas questões para as empresas.

  • Quem é dono dos assistentes de um funcionário?
  • Se um funcionário sai da empresa e leva sua equipe com ele, como você protege as informações ou os dados aos quais os assistentes tinham acesso?

No fim das contas, os benefícios de se ter funcionários reforçados por assistentes com inteligência artificial vão contrabalancear as preocupações, o que exige uma nova adaptação das empresas.Os funcionários também vão se adaptar, cultivando as habilidades gerenciais necessárias para serem bons gestores de assistentes inteligentes.

O sucesso no mundo BYOA vai ser alcançado através de um novo tipo de trabalhador do conhecimento — parte criativo, parte gestor. Isso é empolgante, pois significa que a inteligência artificial vai trazer as qualidades que mais definem a nossa humanidade para o plano principal do trabalho.

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