Técnicas de produtividade: por que mudamos toda hora?

tecnicas de produtividade

Preciso admitir: já perdi as contas de quantos hacks ou métodos de produtividade diferentes já experimentei no último ano.

Eu estava convencida de que a Técnica Pomodoro era a única maneira de trabalhar, então a usei por um bom tempo. Depois, ouvi falar de agrupar as tarefas por papéis, então jurei que essa técnica de produtividade era muito melhor.

Em seguida, entrei na onda do método GTD (Getting Things Done ou Fazer Acontecer, em português).

Depois, transferi minha lista de tarefas do papel para um aplicativo que parecia o máximo — até enfim voltar para o meu caderninho de novo.

Resumindo, já mudei de ideia várias vezes, achando que eu estava descobrindo - a cada vez - o maior segredo da produtividade.

E você? Se identificou?

Vamos começar pelo começo: respire fundo, você não é a primeira nem a última pessoa a passar por isso. Muitos de nós mudamos de ideia e testamos várias técnicas de produtividade para realizar tarefas.

Se você já se martirizou pelo fato de não conseguir se comprometer com um método de produtividade, está na hora de relaxar.

Existem razões reais e comprovadas pela ciência que explicam por que você não consegue se comprometer a experimentar apenas uma técnica de produtividade e fazer as coisas de uma maneira só.

Razão nº 1: Nosso cérebro gosta de novidade

Quer isso aconteça conscientemente ou não, sempre estamos em busca de novidades.

Podemos culpar essa “síndrome do objeto brilhante” como ganância, inquietação ou uma mistura de outras coisas. Porém, eis a verdade: nosso cérebro é programado para procurar novas coisas.

Por quê? Bem, boa parte desse desejo por algo novo e empolgante se deve à nossa evolução como seres humanos.

“O homo sapiens foi o único grupo de hominídeos antigos a emigrar pelo mundo inteiro, o que trouxe muito risco, então acho que o ser humano como espécie tem como característica a novidade e a busca por algo intenso”, explica (em inglês) o psicólogo Marvin Zuckerman, Ph.D.

Essa preferência pela novidade “foi preservada na nossa herança hereditária, porque nos deu a vantagem de sobreviver; sem isso, não teríamos explorado coisas novas ou sido capazes de inventar soluções novas para problemas que surgiam devido a circunstâncias inconstantes”, explica Ann-Christine Duhaime, M.D., em um artigo para a Harvard Business Review.

Porém, se a evolução não for suficiente para convencer você, também tem muita coisa acontecendo no nosso cérebro que explica essa atração pela novidade.

Vamos pular a explicação científica e ir direto ao ponto: pesquisadores descobriram que uma região na parte intermediária do cérebro que regula a motivação e a recompensa (região conhecida como área tegmental ventral) reage melhor à novidade do que a coisas mais familiares.

Esses mesmos pesquisadores também acreditam que, quando você se expõe a algo novo (como uma maneira nova de dividir seu dia de trabalho ou organizar sua lista de tarefas), essa região do seu cérebro é ativada e solta dopamina. Você pode definir isso como a química de “sentimentos bons” do cérebro — é a mesma química que é solta quando você come algo delicioso ou ouve sua música favorita, por exemplo.

Então, para simplificar, seu cérebro simplesmente gosta de quando você experimenta coisas novas — e ele recompensa você por isso.

Razão nº 2: Você se pergunta se poderia melhorar

Veja se soa familiar:

Você está tendo um dia de trabalho normal. Você está conseguindo fazer bastante coisa, sem dúvida alguma.

Quando chega perto da hora de ir embora, você dá uma avaliada no dia e entende tudo que já fez. Você sabe que deveria sentir orgulho do progresso feito nas últimas oito horas e pouco, mas, ainda sente a pressão de pensamentos como: “Se eu mudar só isso aqui amanhã, aposto que vou conseguir fazer ainda mais”.

Isso acontece com todo mundo. Mesmo quando as coisas vão bem, sua mente começa a divagar — será que dá para ser ainda melhor? Alguma outra técnica de produtividade poderia dar ainda mais certo?

Muito disso tem a ver com o fato de que sua natureza já é curiosa — particularmente diante de um resultado incerto.

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Fonte da imagem: Cheezburger.com

Pesquisadores nos Estados Unidos confirmaram isso realizando um estudo com canetas diferentes. No experimento, 54 alunos foram informados de que as canetas em cima da mesa eram de um experimento anterior.

Os participantes foram informados de que as canetas estavam eletrificadas (e que acionar a ponta delas com um clique poderia dar choque) e que eles podiam experimentar se quisessem.

No primeiro grupo, as canetas estavam organizadas por cor: uma etiqueta verde significava que a caneta estava totalmente segura, e uma etiqueta vermelha indicava choque. Porém, no segundo grupo, todas as canetas tinham uma etiqueta amarela, significando que não se sabia o que aconteceria com as canetas caso fossem acionadas.

Então, o que aconteceu? Já adivinhou, né? Os pesquisadores concluíram que os participantes eram mais propensos a acionar as canetas quando o resultado era incerto. Os participantes acionaram só uma caneta verde e duas canetas vermelhas, mas uma média de cinco canetas amarelas.

O que isso tem a ver com a produtividade?

Bem, quando paramos para pensar, não temos uma resposta certa para garantir que você vai aumentar sua produtividade amanhã ou não. A possibilidade existe, e sua curiosidade natural leva você a experimentar algo novo e ver o que acontece.

Parte da sua inquietação sobre sua produtividade pode ser relacionada a algo chamado de esteira hedonista. Resumindo, você se esforça muito para alcançar algo — na expectativa da alegria intensa que isso vai trazer.

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“Infelizmente, depois de uma alegria momentânea, voltamos a nossa estaca zero e começamos a ir atrás da próxima novidade que com certeza vai nos fazer felizes,” diz Frank T. McAndrew em um artigo no The Guardian.

Ou seja, mesmo quando você faz muita coisa, nunca sente que é suficiente. Como resultado, você procura maneiras de ser ainda melhor e mais feliz amanhã.

Razão nº 3: Você tem a tendência de aumentar seus problemas

Vou confessar algo constrangedor.

Se eu parar para analisar friamente por que não consigo ser mais produtiva durante o dia — sendo muito sincera —, a resposta é simples e direta: preciso acordar mais cedo. Ah, e preciso parar de perder tempo no Facebook olhando fotos de casamento de pessoas que nunca vi na vida.

Porém, quando penso em como melhorar e conseguir fazer mais coisas da minha lista de pendências para amanhã, não são essas respostas simples e óbvias que vêm à mente.

Em vez disso, eu me convenço de que preciso de outro método de produtividade, como pintar de cores diferentes as minhas tarefas da lista; ou configurar um timer para monitorar em detalhes as minhas horas e atividades; ou plantar bananeira e fazer exercícios de respiração. Não são minhas manhãs atrasadas ou as constantes distrações que estão sabotando minha produtividade — tem que ser outra coisa.

Isso acontece com muita gente. De vez em quando, somos vítimas de algo chamado de Viés da Complexidade. Um artigo do blog Farnam Street define o que é esse viés: “Temos a tendência de ver algo que é fácil de entender, ou ver algo em um estado de confusão, e enxergar essa coisa como algo com muitas partes difíceis de entender”.

“Como resultado, quando precisamos resolver um problema, podemos ignorar soluções simples — pensando: ‘Isso nunca vai funcionar’ — e preferir soluções complexas”, escreve o autor do artigo.

Às vezes, a melhor solução realmente é a mais simples. Então, talvez você não precise de mais técnicas de produtividade, como reorganizar sua lista de tarefas ou trabalhar em períodos estratégicos de tempo. Possivelmente, você só precisa parar de desperdiçar tempo no trabalho.

Nosso desejo tremendo de ignorar essa explicação óbvia é exatamente o que nos incentiva a experimentar novas técnicas de produtividade e buscar explicações mais complexas (e, convenhamos, que nos fazem sentir menos culpa) para nossos fracassos.

Então, qual o próximo passo na busca de técnicas de produtividade?

Por um lado, eu poderia falar a verdade sem dó e dizer que encontrar uma técnica de produtividade que funciona bem para você é motivo suficiente para insistir até o fim.

Porém, por outro lado, sei que não temos chances contra o nosso cérebro. Realisticamente, talvez não seja possível desligar esses fatores psicológicos que nos assombram para procurarmos as mais novas e eficazes técnicas de produtividade.

Em vez disso, vou apenas encorajar você. No fim das contas, não há nada de errado em testar técnicas de produtividade no seu trabalho — contanto que você não desperdice um monte de tempo nisso, é claro.

Quem sabe? Suas tentativas e erros frequentes podem ser exatamente o que vai ajudar você a encontrar a técnica de produtividade que, apesar dos melhores esforços de seu cérebro, finalmente cria raízes e fica por um bom tempo!


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