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Trabalhar 4 dias por semana te deixa mais produtivo?

trabalhe 4 dias por semana

Imagine como você se sentiria com um fim de semana de 3 dias se aproximando. A felicidade de não ver sua mesa por 72 horas completas... E esse pensamento não saindo de sua cabeça enquanto aguarda o fim do expediente. Agora imagine ter um fim de semana de 3 dias sempre! Trabalhe 4 dias e descanse 3, toda semana.

O que acha da ideia?

A semana de 4 dias existe

A ideia de trabalhar 4 dias na semana e descansar 3 parece impossível, com um monte de coisas para fazer e demandas crescentes de produtividade. É um conceito especialmente desafiador para os Millennials, que hoje em dia são a maior parte da população trabalhadora em países como os Estados Unidos, por exemplo. Esta legião de trabalhadores está se tornando conhecida com os que mais dão duro no trabalho, dispostos a estender as horas de trabalho e sacrificar os finais de semana em prol do sucesso na carreira.

Os sacrifícios pessoais feitos por esse grupo (e muitos outros) são um exemplo claro do porquê dos Estados Unidos estarem tão baixo nos índices de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, de acordo com as pesquisas da OECD.

A verdade, no entanto, é que 43% das empresas (segundo a Society for Human Resource Management) estão pensando em adotar a filosofia de deixar que você trabalhe 4 dias por semana.

35 horas por semana e pagamento de horas extras

35 horas e pagamento

Alguns países que estão adotando a semana de 4 dias estão vendo um efeito positivo no bem-estar de seus cidadãos. Na França - onde apenas 8% da força de trabalho diz trabalhar jornadas muito longas, e o país registra índices de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho extremamente altos - uma jornada de 35 horas semanais é bastante comum. Cerca de um terço das empresas do país impõe uma jornada com teto máximo de horas para os empregados, enquanto outros, na maioria das vezes executivos, recebem horas extras e folgas para compensar qualquer trabalho além de 35 horas por semana.

Infelizmente para os franceses, a lei está sob discussão, pois a taxa de desemprego se eleva acima de 10% e a produtividade, que mostrava um aumento inicial depois dessa implementação no ano 2000, está declinando. No entanto, a força de trabalho do país continua entre as mais produtivas do mundo.

Dadas as evidências desse efeito na produtividade e no equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, muitas empresas americanas estão experimentando sua própria versão da redução da jornada de trabalho. Negócios e até mesmo departamentos do governo estão reduzindo as horas e dias dentro da empresa para aumentar o engajamento e a felicidade.

A KPMG, uma das 4 grandes empresas de auditoria do mundo, fez em 2009 algumas ondas introdutórias para seus empregados baseados nos Estados Unidos que quisessem optar por uma semana curta. Barbara Wankoff, Diretora de Ambiente de Trabalho da KPMG, comentou a decisão dizendo: “A satisfação dos empregados se eleva quando eles têm controle sobre seu horário. E isso incrementa a moral dos empregados, sua produtividade e retenção”.

A KPMG é uma minoria entre as grandes empresas no que tange a oferecer uma semana reduzida de trabalho, o que é mais comumente encontrado em equipes menores.

Fato: pessoas felizes são mais produtivas

pessoas felizes são mais produtivas

Opositores ainda questionam o efeito positivo de uma semana curta de trabalho na produtividade da empresa e dos funcionários, e se perguntam se outras opções não valeriam a pena.

Oferecer um calendário em que o funcionário trabalhe 4 dias por semana tem um efeito claro no equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, como as evidências da França sugerem. E de forma similar, existem outros exemplos que indicam que empregar mais horas trabalhando não leva a melhores resultados.

De fato, menos pode levar a mais produtividade, como no caso das 6 horas de trabalho por dia na Suécia. De acordo com as empresas Suecas, implementando um teto máximo para as horas de trabalho, os empregados que dizem ter altos índices de felicidade creditam a isso ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, que lhes dá mais tempo com as famílias e amigos, ou para usar em outras atividades, mais criativas.

Para aqueles que procuram justificativas para uma semana curta, estudos comprovam uma relação direta entre felicidade e produtividade.

Em um artigo editorial para o New York Times, o fundador do Basecamp, Jason Fried, reconhece que “se consegue um trabalho melhor em 4 dias do que em 5”. Esta é a justificativa para as semanas de 4 dias, no período de maio a outubro, em sua empresa.

Semelhante às semanas de 32 horas de trabalho do Basecamp, o Departamento Governamental Americano de Contabilidade adotou um novo calendário para sua equipe. Empregados deste setor público trabalham 8 dias de 9 horas e 1 de 8 para ter direito a mais um dia de folga, outros preferem trabalhar 10 horas por dia, para que se trabalhe 4 dias por semana apenas.

Semana de 4 dias: sonho X realidade

sonhos x realidade

Uma semana de trabalho reduzida pode ter um efeito positivo na produtividade, mas há circunstâncias que devem ser reconhecidas. Nate Reusser, fundador da Reusser Design, registra as dificuldades que uma semana de trabalho de 4 dias impõe na programação semanal, principalmente se um empregado fica doente.

Faltas imprevistas dos membros do time transformam a realocação de trabalho em um desafio quando se têm menos dias de trabalho. Mesmo assim, Reusser acredita que o desafio vale a pena.

De forma semelhante, semanas reduzidas podem fazer o adiamento de uma reunião ou compromisso algo igualmente desafiador. Adiamentos e mudanças podem aumentar o custo do trabalho, ou a cobertura pode não estar disponível para os 5 dias de trabalho que a maioria das empresas e consumidores espera.

Em empresas que simplesmente diminuem o número de dias trabalhados, mas não as horas, os empregados podem acabar mais propensos a ficar cansados com 2 horas a mais de trabalho por dia. Isso também pode atrapalhar quem tem que tomar conta dos filhos ou obrigá-los a contratar alguém para isso.

A Revista Americana The Atlantic questiona ainda os encargos financeiros e o trabalho em turnos, sugerindo que a semana de 4 dias só se aplica a certos tipos de carreiras e determinadas (leia-se: mais elevadas) faixas de renda.

Resumindo, se você está trabalhando em um negócio que precisa ficar aberto ao público em horário comercial, ou não está sendo pago o suficiente para compensar as horas a menos trabalhadas, uma semana curta pode ser nada mais que um sonho distante. Portanto, só trabalhe 4 dias por semana se for vantajoso para você.

Então trabalhar 4 dias por semana é melhor que 5?

4 dias melhor que 5 dias

Em um bate-papo com o CEO do Google, Larry Page, ele comentou que toda vez que você perguntar a um grupo de trabalhadores se eles querem mais tempo de folga, indubitavelmente eles vão dizer sim.

Jason Fried reconhece que permitir que seus funcionários trabalhem 4 dias por semana no Basecamp - o que têm o objetivo de promover a criatividade - reduz o cansaço e a fadiga no trabalho, mas os torna uma exceção à regra. E enquanto os suecos estão vendo uma tonelada de benefícios no seu programa de 6 horas de trabalho, a França está pensando em estender a jornada de trabalho para combater seu alto índice de desemprego, que está deixando 1 em cada 4 adultos jovens sem uma renda estável.

A teoria é que equipes são mais felizes para trabalhar em uma empresa que valoriza seu tempo e, por isso, estão dispostas a trabalhar igualmente felizes no tempo normal ou em tempo adicional. Portanto, independentemente do choque inicial de diminuir a jornada de trabalho, uma semana curta pode ser algo a se considerar se sua empresa se encaixa no tipo de trabalho que pode beneficiar tanto empregados como empregadores.