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Por que a gente adora trabalho duro e vive na correria?

O cérebro ativa a tendência à complexidade ao lidar com novos projetos.

Já dizia Dona Jura: "Não é brinquedo não"!

Está duvidando?

Nós glorificamos rituais matinais que envolvem acordar às 5h da manhã para se exercitar, meditar e trabalhar em projetos paralelos, tudo isso antes de ir para o trabalho. Ou então nos queixamos (de mentira) sobre trabalhar 60 horas na semana e sequer lembramos da última vez que fizemos uma rotina de autocuidado.

A verdade é que temos uma obsessão por trabalhar duro e estar sempre na correria. Definimos sucesso pelo quanto alcançamos em nossas vidas complicadas e corridas às custas da produtividade, dos nossos relacionamentos e bem-estar pessoal.

Mas esse desgaste faz sentido ou é "coisa da nossa cabeça"?

O trabalho duro é um fator do ambiente à nossa volta e da cultura de trabalho, mas também é resultado do viés de complexidade, uma disposição inconsciente para complicar as coisas que são simples. Por exemplo, nós trabalhamos horas extras para concluir um projeto em vez de delegar tarefas a nossos colegas de trabalho. Ou então usamos jargões e palavras complicadas para comunicar uma ideia básica.

Porém, temos boas notícias! Uma vez que você reconhece como a tendência à complexidade afeta sua vida, você pode aprender a superá-la.

Por que você tem que complicar sua vida?

Quando nos deparamos com 2 opções, o viés de complexidade nos empurra inconscientemente a ignorar a solução mais fácil, porque nós presumimos que a tarefa tem que exigir um certo nível de conhecimento ou esforço. Isso acontece o tempo todo em nossas vidas pessoais e profissionais. Você já passou muito tempo tentando decifrar o manual de instruções da Leroy Merlin para montar um móvel quando poderia ter assistido um vídeo de 5 minutos no YouTube?

Ou você foi assumiu responsabilidade de criar uma apresentação de PowerPoint e acabou se perdendo em animações, cores e design - quando o que você realmente precisava fazer era só colocar algumas palavras nos slides?

Todos esses exemplos mostram como a tendência à complexidade interfere na nossa tomada de decisão. Resultado disso: trabalho duro desnecessário. Você se convence de que a solução mais complexa e avançada é a abordagem correta quando, na maioria dos casos, a alternativa mais simples traz os mesmos resultados.

trabalho duro: não é brinquedo não
As pesquisas mostram que temos uma tendência a complicar as coisas. Em um estudo, pediu-se aos participantes que estabelecessem uma regra ou padrão aritmético. Eles receberam um conjunto de três números (como 4, 8, 12) e tiveram que adivinhar qual era a regra indicando outros números que seguiam o padrão.

A regra, na verdade, era muito simples: listar 3 números em ordem crescente. Eles poderiam ter dito qualquer coisa de "2, 3, 4" a "50, 100, 1.000." Isso deveria ter sido fácil para os participantes, mas a maioria deles não conseguiu. Em vez de apostar na regra mais básica, eles elaboraram regras matemáticas complexas e avançadas para as sequências.

Bom, o fato é que a complexidade em si não é uma coisa ruim. A complexidade está por toda parte e só se torna preocupante quando não tem uma finalidade. Donald A. Norman, autor de Living with Complexity, explica a diferença:

"Complexidade faz parte do mundo, mas não deveria ser algo desconcertante: podemos aceitá-la se entendemos que é a forma como as coisas podem ser. Assim como o dono de uma mesa bagunçada encontra ordem no caos, nós enxergamos ordem e sentido na complexidade uma vez que entendemos os princípios subjacentes. Mas quando essa complexidade é aleatória e arbitrária, temos razão em sentirmos confusão e irritação."

Não há problema em aceitar projetos difíceis e complexos no trabalho quando eles têm um propósito. Mas, se inserirmos complexidade sem motivo, nosso equilíbrio entre pessoal e profissional será prejudicado, assim como nossa produtividade e cultura em geral.

Estou sempre na correria

A tendência à complexidade é um fenômeno mundial, mas parece ter um impacto particularmente significativo na cultura americana.

O pessoal dos Estados Unidos gosta de trabalho duro. Afinal, eles trabalham mais horas por dia do que seus colegas no Reino Unido, Canadá e Austrália, que também falam inglês. Além disso, parece que os americanos não sabem como desligar do trabalho.

Um estudo de 2018 mostrou que 47% dos americanos não tirou férias completas e 21% abriu mão de mais de 5 dias de descanso. Sabe qual é o motivo? O estudo revela que os americanos não tiram férias porque elas causam mais estresse mental. Dentre os participantes do estudo, 27% consideraram que tinham "muitos projetos ou prazos" e 13% tinham medo da "quantidade de trabalho que teriam quando voltassem das férias"

trabalho inteligente simplicidade no trabalho

Uma solução simples poderia ser reduzir a carga de trabalho, mas um estudo da Harvard Business Review revela que "estar na correria" virou um símbolo de status— de que, na verdade, não queremos abrir mão. Na pesquisa, os participantes perceberam que quem "está sempre na correira" tem um status social mais alto do que quem "não trabalha ou tem um estilo de vida mais tranquilo."

Essa percepção é mais forte no Estados Unidos do que em outras partes do mundo. Entre os americanos, o trabalho duro está associado a maior status, mas entre italianos é o oposto; eles associam status a ter tempo livre e saber como descansar a mente.

Tudo isso é para dizer que a tendência à complexidade está arraigada na cultura americana e se reflete no corre-corre diário, nas rotinas de viagem e nos níveis de estresse. Não é que seja impossível escapar dela, mas isso requer compromisso, diligência e um sistema de apoio.

As desvantagens do trabalho duro e da correria

Arianna Huffington, fundadora do The Huffington Post, se destacou como uma poderosa porta-voz contra a cultura do estar sempre na correria.

Em 2007, ela esteve literalmente caída chão em cima uma poça de sangue. Ela pediu aos médicos que fizessem diversos exames, mas não havia nada de errado com o seu corpo. O que ela teve, na verdade, foi um episódio de burnout, o que fez com que desmaiasse, batesse a cabeça na quina da mesa e cortasse o olho. Desde o acidente, ela se tornou mais consciente sobre sua rotina de trabalho, o que incluiu deixar o posto de editora-chefe no The Huffington Post para se dedicar a sua nova iniciativa de redução de estresse e burnout, o Thrive Global.

“Tudo se resume a priorização – a saber o que realmente tem que ser feito e, então, tirar um tempo para você mesmo, em vez de tentar fazer tudo. É importante lembrar que querer fazer tudo significa, essencialmente, não fazer nada muito bem." disse Huffington em artigo da Collective Hub.

Huffington está certa em todos os aspectos: estudos mostram que a produtividade cai consideravelmente após várias horas de trabalho e a criatividade desaparece completamente quando ultrapassamos a marca de 55 horas de trabalho na semana.

Meme de programa de TV: "Não é brinquedo não"
Assim como na experiência de Huffington, estar constantemente na correria e no trabalho duro pode ter efeitos graves na nossa saúde.

"Trabalhando duro demais, você produz adrenalina e cortisol em excesso. Quando isso acontece, seu sistema imunológico fica mais suscetível a doenças e inflamações," disse Stewart Rogers, analista na VentureBeat. "O excesso de trabalho, na verdade, está lhe deixando doente."

Como superar a cultura de estar sempre na correira

Nossa tendência ao trabalho duro desequilibrado acontece quando sentimos pressão, estresse ou insegurança. Se todos os seus colegas estão trabalhando 12 horas por dia, a tendência é você pensar que precisa fazer o mesmo. No entanto, estar sempre na correria do trabalho duro não é algo sustentável. Logo, esse estilo de vida (e seus efeitos colaterais) podem ser perfeitamente revertidos.

Algumas mudanças simples de mentalidade podem lhe ajudar a reconhecer o que é de fato importante e o que é, na verdade, o resultado de um viés de complexidade. Aqui estão três formas de superar a cultura do trabalho duro e trazer equilíbrio para sua vida:

1) Priorize ter um novo olhar

Pode ser difícil identificar seus próprios vieses inconscientes, então peça a outras pessoas que lhe ajudem a enxergar quando você está complicando as coisas.

Por exemplo, se você sente ansiedade no trabalho, pergunte a seus colegas como eles conduziriam o projeto no qual você está trabalhando. Lembre-se de que a tendência à complexidade te impede de ver as soluções simples, então pedir a opinião dos outros pode exercitá-lo a reprogramar o seu cérebro. Você também pode fazer algumas perguntas a si mesmo para se certificar de que não está complicando as coisas. Você pode se perguntar, por exemplo: "Se eu fosse novo nesse emprego, por onde eu começaria?" Ou, "se eu estivesse delegando essa tarefa a alguém, o que eu diria para fazer?"

Essas perguntas permitem que você tenha um novo olhar e uma visão geral do que está acontecendo, estimulando o trabalho inteligente e a simplicidade no trabalho. Quando se tem uma visão mais ampla da situação, é mais provável que você a considere simples. E o poder da simplicidade tem tudo a ver com trabalho inteligente. O New England Complex Systems Institute publicou um estudo sobre o "perfil da complexidade", uma ferramenta matemática destinada a compreender as relações entre o comportamento de partes de um sistema e do sistema como um todo. Quando o perfil de complexidade é aplicado a humanos, nota-se que à medida que a escala aumenta, os problemas se tornam menos complexos.

o poder da simplicidade
Fonte:
New England Complex Systems Institute

Por exemplo, em uma escala muito pequena (a nível atômico), o comportamento é o mais complexo de todos. No entanto, quando se amplia a perspectiva e se vê o comportamento na sua maior escala (nível social), o comportamento se torna o menos complexo de todos.

Isso serve para lembrar que a perspectiva é fundamental no trabalho inteligente. É fácil ficar preso à nossa visão limitada, tornando o projeto em que estamos trabalhando mais complicado do que é. Mas como parar de sofrer? Quando damos um passo atrás e vemos o mesmo projeto sob a perspectiva da nossa equipe ou da empresa como um todo, tendemos a alcançar a simplicidade no trabalho e praticar o trabalho inteligente.

2) Defina seu próprio sucesso


A tendência à complexidade nem sempre vem das nossas percepções individuais; ela também pode surgir da pressão social que pede o trabalho duro e a correria sempre. No mundo corporativo, há uma tendência maior à complexidade, o que nos incentiva a agir de modo a sermos percebidos como pessoas que trabalham duro.

Criar essa imagem é importante para nós. Um estudo revelou que os Millennials, em especial, esperam mais de si mesmos e dos outros e estão cada vez mais conscientes de suas limitações.

Tornar as tarefas mais complicadas do que elas são nos ajuda a passar a imagem de que somos eficientes e a gerar uma recompensa social. Porém, em pouco tempo você começa a associar o sucesso a quanto tempo passa fazendo algo, ou ao quão difícil é uma tarefa.   

Porém, dê um passo atrás e pense sobre o que é sucesso para você. Esqueça o ego e a pressão corporativa. Foque no trabalho inteligente. Considere que tipos de resultados você pode obter em vez de focar na quantidade de tempo gasta. Para que trabalho duro e correria que podem ser evitados? A tendência à complexidade ficará mais fraca se você concentrar sua energia em alcançar o resultado, em vez de reagir às pressões externas.

3) Seu tempo vale ouro


Quando estamos na correria, sentimos que temos muito trabalho duro a fazer e pouco tempo. Mas, em vez de eliminar itens da nossa lista de tarefas, sentindo uma aflição em relação a “como melhorar o desempenho” (ou senso exagerado de urgência). A combinação de prazos e escassez de tempo faz com que entremos em um estado crônico de preocupação. Fazemos as tarefas rapidamente apenas para marcá-las como concluídas. Isso não é trabalho inteligente. Esse comportamento, se agravado, pode afetar nossa habilidade de pensar com clareza e tomar decisões corretamente.

Nota mental: há formas mais saudáveis de gerenciar seu trabalho. Em vez de deixar o estresse e a pressa tomarem conta, experimente algumas técnicas comprovadas de administração do tempo, como zerar a sua caixa de entrada todas as noites ou manter uma agenda atualizada. Ambas as táticas ajudam a liberar energia mental para você se concentrar na tarefa à sua frente. Simplicidade no trabalho!

Você também pode criar mais espaço com essas dicas de como administrar o tempo que ajudam a pensar estrategicamente. Justamente, o contrário do trabalho duro. Diga adeus às planilhas e lista de afazeres e pergunte-se o que você quer atingir e por que isso é importante. Concentre-se na relação resultado versus tática (por exemplo, "aumentar a receita em X%" versus "lançar funções 1, 2 e 3 do produto"). O segredo do trabalho inteligente e da simplicidade no trabalho é pensar no objetivo, em vez de pensar na tarefa. Essa abordagem ajuda a priorizar quais projetos devem ser realizados primeiro e no que você deve gastar o seu precioso tempo.

Não trabalhe duro, trabalhe de forma inteligente

Se você quer saber se a cultura de estar sempre na correria já tomou conta de tudo, pense na resposta mais comum à pergunta "Como estão as coisas?" Em vez de compartilhar os momentos do fim de semana ou comentar sobre como está o tempo, a resposta se tornou algo como "Uma loucura, estou na correria!"

Nós não deveríamos valorizar o excesso de trabalho que temos como se fosse algum tipo de prêmio. A maior conquista deveria ser aumentar a eficiência e a produtividade para que tenhamos mais tempo para passar com nossos amigos e familiares, fazendo o que gostamos, ou simplesmente relaxando.

Para sair desse corre-corre, precisamos simplificar nossas rotinas, projetos e vidas pessoais. O ponto é experimentar o poder da simplicidade. Precisamos arrumar a bagunça com o método konmari: todas aquelas tarefas e complicações extras estão empilhadas em cima de nós, impedindo-nos de enxergar o que é mais importante.

Nas palavras de Marie Kondo, consultora japonesa de organização e autora do best-seller A Mágica da Arrumação:

"Lembre-se de que você não está escolhendo o que descarta, mas sim o que mantém."

Concentre sua energia no que você quer priorizar na sua vida. Todo o resto ficará naturalmente em segundo plano (e está tudo bem!).


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